Por que os paetês casuais são a verdadeira tendência de festa do outono/inverno 2026
Durante anos, os paetês seguiram uma regra tácita: eram para uma noite por ano, usados depois de escurecer e guardados com os enfeites natalinos no início de janeiro. O outono/inverno 2026 quebra essa regra. Nesta temporada, o brilho chega à luz do dia —
Durante anos, os paetês seguiram uma regra tácita: eram para uma noite por ano, usados depois de escurecer e guardados com os enfeites natalinos no início de janeiro. O outono/inverno 2026 quebra essa regra. Nesta temporada, o brilho chega à luz do dia — blusa de paetês com jeans, saia bordada de contas com camiseta branca, vestido brilhante sob trench coat — e redefine discretamente o significado de “roupa de festa”.

O sinal vem ao mesmo tempo das passarelas e da rua. A Chanel mostrou tailleurs bordados de contas trazidos para o cotidiano por uma camiseta branca simples; a Celine colocou vestidos de paetês sob trench coats; e Stella McCartney apostou no que a cobertura chamou de “paetês de sala de reunião”, combinados com calças de cintura alta. Fora das passarelas, a blusa de paetês virou a peça padrão para sair nesta estação, usada com jeans por Kate Moss, Victoria Beckham, Dua Lipa e Rihanna. A Harper’s Bazaar deu nome ao movimento — “paetês casuais” —, com uma mensagem coerente: o brilho passa de figurino a peça de sobreposição.
A primeira manifestação da mudança é o próprio paetê casual. O truque é simplificar o restante, em vez de acrescentar mais brilho. Uma única peça de paetês ou contas parece intencional quando o resto do look fica deliberadamente simples — camiseta branca, malha fina, jeans reto, jaqueta bomber ou blazer amplo. A fórmula é uma peça chamativa cercada de discrição; duas peças chamativas são uma escolha mais ousada, sem constituir um erro.

A segunda manifestação é a maneira como a temporada pensa a festa. Em vez de comprar para uma noite, a nova abordagem é escolher uma peça para todo o período das primeiras festas de fim de ano até o réveillon e fazê-la circular por ele inteiro. Isso leva a paleta para além do vermelho e verde literais, em direção a tons de joias — bordô, esmeralda, índigo profundo, chocolate —, fáceis de combinar com jeans e alfaiataria durante o dia e ainda festivos à noite. Veludo, cetim, renda e penas seguem a mesma lógica: texturas ricas usadas com descontração, sem cerimônia.

As silhuetas acompanharam a mudança. Vestido-blazer, macacão de festa, conjuntos adornados e vestidos fluidos de cetim de inspiração lingerie fazem hoje o trabalho que, uma década atrás, cabia a um único minivestido de paetês. O elo é a versatilidade — peças que podem ir a um jantar ou buscar os filhos na escola, além da contagem regressiva da meia-noite. O mesmo vale para o caimento: cortes mais soltos e tecidos fluidos tornam a tendência mais fácil de usar em diferentes corpos que o minivestido pouco tolerante que ela substituiu.
A relevância para leitores de diferentes países é resolver dois problemas conhecidos ao mesmo tempo: o pânico de “não ter o que vestir” no calendário de festas e a culpa de uma compra usada uma única vez. Uma saia midi de paetês com tênis e blazer amplo funciona de dia; à noite, basta trocar por mules de salto, melhorando o custo por uso da compra que parece mais indulgente na estação. Em diferentes climas, o look aceita camadas em vez de brigar com o tempo: sob um casaco em Londres ou Nova York, sobre uma malha fina no dezembro mais ameno do sul europeu e na festa de escritório com ar-condicionado excessivo, onde a temperatura nunca acompanha o código de vestimenta. E, como os tons de joias são escolhidos por seu efeito em diferentes peles, a tendência é mais fácil de adaptar a vários tons de pele que um único prateado que favorece apenas alguns.

A lição é simples: vai além de um retorno dos paetês. A mesma lógica de valor que transforma a moda em 2026 — uma peça rendendo mais usos — aparece no canto mais brilhante do guarda-roupa.